Lendas do folclore brasileiro - A mula sem cabeça; O lobisomem e O Curupira
terça-feira, 26 de junho de 2012
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A
MULA-SEM-CABEÇA
É noite de
quinta para sexta-feira. O viajante assustado se apressa para chegar ao seu
destino. Ele sabe que é noite da Mula-sem-cabeça, bicho amaldiçoado, que
ataca a tudo e a todos.
Diz a lenda
que as mulas-sem-cabeça são mulheres que mantêm casos amorosos com padres
católicos, nas cidades do interior do Brasil, e como castigo recebem esta
terrível sina.
A mula, que
corre sete cidades quando se transforma, ataca sem piedade tudo o que vê pela
frente. Ao final da corrida, já de madrugada, cansada e toda ferida, volta a
ter sua antiga forma: de mulher.
O encanto só
pode ser quebrado por quem lhe causar um ferimento que derrame sangue,
mas é necessário que ambos, o homem e o bicho, lutem entre si.
A mula pode
ser um animal negro, com uma cruz de cabelos brancos; pode soltar fogo pela
cauda e pode carregar um freio ferozmente mastigado na boca espumante de
sangue. Em todos os casos, porém, é castigo de amante de padre.
O LOBISOMEM
É noite de
quinta para sexta-feira. Uma chuva fina cai sobre a cidade deserta e um vento
forte sopra sobre suas ruas. Um homem caminha depressa pelas ruas
mal-iluminadas. Ao ouvir um estranho ruído, apressa ainda mais o passo. Porém,
sente que está sendo observado.
Completamente
apavorado, começa a correr. Na esquina vê um vulto escuro. Sentindo que está
prestes a se tornar sua vítima, grita por socorro. Mas de nada adianta.
Desesperado,
cai de joelhos ao chão e com os olhos cheios de lágrima vê a criatura
atacar. Com uma dentada no pescoço, o Lobisomem suga seu sangue. Seu corpo fica
inerte no chão.
Meio
bicho, meio gente, a besta sai em disparada para atacar outras possíveis
vítimas. Quando o galo começa a cantar, o Lobisomem retoma a sua condição
anterior: volta a ser homem, cansado e com os cotovelos cobertos de sangue.
Isolado,
fica aguardando a próxima oportunidade em que voltará a atacar suas vítimas.
O CURUPIRA
Dentro da floresta, num rio sinuoso, uma canoa segue comseus passageiros:
são pescadores, caçadores ou simples viajantes. Os únicos sons que se ouvem são
os dos remos batendo nas águas e o alegre canto dos passarinhos.
De repente, ouvem-se pancadas que parecem vir de longe. É o
Curupira testando se as árvores resistirão à tempestade e avisando aos
habitantes da floresta sobre a tormenta que se aproxima. Ele é um estranho ser
que protege a floresta e todos os animais que nela vivem. É pequeno, coberto de
pêlos, olhos vermelhos, unhas azuis e pés virados para trás.
Ai
daquele que matar ou tentar caçar animais pequenos e fêmeas, derrubar
árvores ou judiar das plantas. Para estes, o Curupira reserva castigos
terríveis.
Para defender
a natureza, o Curupira ataca seus inimigos e os castiga de diversas maneiras:
faz com que se percam na floresta ou os engana parecendo ser uma caça.
Porém,
o Curupira não é só terror. Ele não persegue aquele que caça por
necessidade, mas além de exigir presentes, pede segredo absoluto.




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